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Cientistas Brasileiras de jaleco e salto alto

Com jaleco e salto alto. Assim são as pesquisadoras brasileiras, que ganham mais espaço no mercado brasileiro à frente de negócios próprios em áreas de grande competitividade, como a pesquisa farmacêutica. Maíra Cola, 35 anos, e Daniela Ferraz Pereira Leite, 31, diretora comercial e diretora científica, respectivamente, estão à frente da TrialPharma.

Criada há um ano, é empresa pioneira no Brasil como prestadora de serviços na área de farmacologia pré-clínica. "Ouvimos a necessidade do cliente, como analisar a toxicidade de um produto, verificar seu potencial farmacêutico, e montamos um protocolo experimental para responder sua pergunta, executamos os ensaios, analisamos os resultados e fazemos um relatório final", disse Daniela.

No Brasil, esse campo ainda não é muito desenvolvido, pois a maioria das indústrias que fazem parte da cadeia de fármacos, medicamentos e cosméticos quando precisam testar um novo medicamento ou substância com possível potencial terapêutico normalmente contratam empresas especializadas fora do país. "Estas empresas internacionais executam este tipo trabalho há muito mais tempo do que nós, que estamos começando. Isso não é bom nem para pesquisa nem para economia do país. Entretanto, estamos iniciando nesse campo de atuação no Brasil, e como todo início não deixa de ser desafiador", afirmou Maíra.

Segundo o CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico -, o número de bolsas em produtividade de pesquisa distribuídas anualmente ainda tem os homens como seu público principal. As mulheres representam apenas 34% desse número.

As mulheres à frente da ciência estão ajudando a mudar o estereótipo do cientista louco, descabelado e de jaleco. Bem, o jaleco permanece, mas agora é combinado com salto alto. Além do estilo, elas carregam para dentro das empresas outras qualidades, segundo Maíra. "Embora sejam sinônimo de fragilidade, mulheres geralmente têm um poder de convencimento maior, sabem se impuser de forma segura e confiável com uma agressividade menor que os homens."

Outros traços femininos também ganham mais território dentro do rigor científico. "O pesquisador não deve ser aquele indivíduo que fica o tempo inteiro fechado no laboratório, onde tenta sempre minimizar todas as interferências externas. Ao contrário, tem de trabalhar aberto para o mundo, quanto mais conexões, melhor. A pesquisa precisa ter rigor científico, mas existe ali uma dose importante de emoção", afirmou Daniela, bióloga, com mestrado em fisiologia.

Apenas a organização do tempo ainda não encontra método científico e coordenar múltiplas tarefas ainda é a principal cobrança feita pelas profissionais sobre si mesmas. "Eu particularmente me cobro muito e volta e meia tenho a sensação de estar falhando em certo aspecto, mas isso me faz procurar melhorá-lo e assim fico como se estivesse jogando malabares, tomando cuidado para nenhum cair. Acho que hoje temos de prezar não somente a quantidade de tempo (nesse sentido a organização pode ajudar e muito a conquistar mais tempo), mas principalmente sua qualidade. Se tenho pouco tempo para mim, devo aproveitá-lo da melhor forma possível", disse Daniela.

Fonte: terra, 2010.

 
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