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Data: 28/05/2010

Autor: Vilson Sampaio Schambeck

Assédio moral, perseguição e covardia

Quem me conhece sabe que sempre tento escrever algo que possa ser útil. Não sei falar de horóscopo, novela das oito ou festas de sociedade. Gosto de falar daquilo que é real, palpável, pois estar na vanguarda é não se acovardar. Gosto de tocar fundo no coração das pessoas. E hoje vou falar de algo, infelizmente, muito comum em nossos dias: ignorância e covardia.
O assédio moral é nada mais que isso, um “chefe” ignorante e covarde procurando fazer de tudo para humilhar e desacreditar um funcionário subordinado, pois esta situação fere nada mais que a dignidade e a identidade do trabalhador.
Meu professor de filosofia dizia que “só podemos medir a verdadeira utilidade de um homem depois que lhe dermos liberdade de ação, como também só passamos a conhecer o real caráter de alguém, após darmos a ele um cargo de liderança”.
O “chefe” tirano projeta em suas vítimas as suas próprias fraquezas profissionais e morais. Sente-se sempre ameaçado pela competência de seu subordinado. São os covardes da liderança, que ao se verem perdidos, começam a vomitar toda a sujeira que tem dentro de si. Em seu inconsciente o céu só pode abrigar uma estrela, a sua.
As instituições que permitem tais situações em sua rotina de trabalho, estão fadadas à falência administrativa e social. A mediocridade dominará de tal forma as relações interpessoais de trabalho que a empresa terá tudo para não dar certo.
Vale lembrar que tudo isso poderá pesar no bolso do empresário, pois quem humilha ou xinga empregado não fica impune. Poderá ser enquadrado na prática de crime de calúnia e difamação, estes, estampados nos artigos 138 e 139 do Código Penal, além de correr o risco de indenizar o trabalhador prejudicado por dano material, moral e à imagem.
Sabe, dói na pele ver colegas se afastarem de você por medo de também sofrerem os respingos da malhação de pau. Pobres de espírito, não sabem que agindo assim eles próprios serão os próximos, pois o que o perseguidor mais teme é a unidade, já que juntos, nós trabalhadores, somos muito fortes.
Não se pode enfrentar sozinho um chefe tirano. Procure ajuda. Consulte o departamento médico de sua empresa; conte ao seu médico tudo o que você está passando, pois o assédio moral traz sempre conseqüências para o corpo: aumento da pressão arterial, insônia, pesadelos, perda do apetite, ansiedade, etc. Relate tudo ao seu médico. Por lei ele é obrigado a anotar esses detalhes em seu prontuário, bem como todo medicamento que você vier a tomar. E isto serve como prova caso um dia você decida processar o bendito chefinho. Por lei você tem até três anos, após o fato ocorrido, para levá-lo aos tribunais. Outra dica importante é procurar estar em contato com outras pessoas de sua empresa que também estejam passando pelo mesmo processo de tortura psíquica. Uma poderá servir de testemunha no processo da outra e vice-versa.
Não desista, persiga sempre a justiça e nunca se deixe vencer pelo medo. Ademais não se nasce “chefe”, você está “chefe”. Em outras palavras: a vida corre e o chefe de hoje será o subordinado amanhã.
Por último lembrem-se, Golias era um gigante invencível; Davi, pequenino demais perto do grande gigante Golias, derrotou-o com uma pedrinha chamada, inteligência.

 
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